sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Cinema e Emoção: um breve ensaio

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Parte 5/7

Mas, voltando atrás, grande parte dos filmes Asiáticos (essencialmente Chineses, Japoneses e Coreanos) são feitos tendo por base o que aqui acabou de ser descrito: a emoção por “acções positivas”. Tome-se como excelentes exemplos os filmes Adeus, Dragon Inn (2003) e Ferro 3 (2004) que, através de gestos, sem diálogos, um silêncio absoluto – a verdadeira narrativa visual –, compreendemos a essência da paixão, o viver de um presente e a construção de um futuro.
Analogamente, também em Portugal existem filmes que se baseiam nesse princípio: Aniki Bóbó (1942) de Manoel de Oliveira – por mim considerado como melhor filme Português – e Terra Sonâmbula (2007) de Teresa Prata são os melhores exemplos disso. Enfim, muitos filmes existem e podiam ainda ser mencionados, mas referem-se apenas estes a título de exemplo, considerando que o leitor deverá, da mesma forma, ser capaz de associar o que aqui é exemplificado com os filmes que visiona.
Paralelamente, a emoção pode também ser conseguida segundo outros meios, tal como já mencionado; usualmente, um acontecimento inesperado que cause espanto ou surpresa é passível de causar igualmente um impacto emocional. Este é precisamente um meio que tem ganho particular estima por parte de diversos realizadores. O facto de invadirmos o espectador com uma situação imprevista e de que não estava à espera, toma-o em surpresa podendo-o levar a um sentimento mais emotivo. Exemplos disso são os filmes de suspense – e aqui entra Hitchcock com toda a certeza – que criam uma tensão propositada e incitam o espectador a ter um determinado tipo de reacção assim que algo de inesperado aconteça. Mas estes são exemplos pouco felizes para a compreensão deste tema já que, tal como foi dito, o espectador é manipulado propositadamente para ter aquele tipo de reacção e de emoção – e Hitchcock sabia-o demasiadamente bem! Não quero dizer, no entanto, que as “acções positivas” que culminam num estado emotivo não são materializadas através da manipulação do espectador; claro que isso está sempre presente em qualquer obra, mas há filmes em que essa manipulação é de tal forma evidente que se desprendem totalmente do sentimento positivo de que é o gesto, o carinho e o silêncio que atrás mencionava. Veja-se o caso dos filmes “exploitation”, de série B, que tiram partido da fragilidade humana (manipulam-nos, portanto, vão de encontro ao que mais tememos e contra os nossos princípios) e nos levam a reagir e a emocionarmo-nos de certa forma perante uma situação extrema – igual para o caso dos filmes “Gore” que recentemente têm adquirido grande interesse por parte do público.

2 comentários:

Bruno Teixeira disse...

Ainda na parte cinco?! Vá Hélder, despacha isto! LOL

Estou a brincar contigo... Só vim aqui para te aconselhar a leitura deste blogue:

http://hasempreumlivro.blogspot.com/

Espero que gostes!

Abraço R.....s

Helder Magalhaes disse...

Ainda só vai na parte 5 porque é uma parte por dia, para não massacrar muito os supostos leitores...

E, pronto, obrigado pela recomendação!
É um blogue que vale muito a pena seguir, pelo que estive a ver.

Gostei!

Abraço P.....s