domingo, 7 de março de 2010

Oscars 2010: Um Homem Sério (A Serious Man)


Um Homem Sério, dos irmãos Coen, será a última referência que aqui deixo antes da cerimónia dos Oscars 2010, que decorrerá dentro de algumas horas, até porque, na verdade, estes foram os filmes que vi, nomeados na categoria de melhor filme, e escrever sobre o que não vi e o que não sei não faz muito o meu género.
Uma vez mais, os irmãos Coen são muito fiéis ao que sempre fizeram e costumam fazer. Tenho visto alguns filmes da carreira de ambos - escassas vezes se separaram - e, evidentemente, sobressai esta forma retraída (ou contida) nas emoções e o gosto pelo insólito, cultivado por uma narrativa visual de excelência. Um Homem Sério tem todas estas características, muito direccionado para os amantes do trabalho dos irmãos e não tanto para as massas, como de resto são quase todos os seus filmes.
O filme conta, muito concretamente, uma fase muito difícil da vida de Larry Gopnik. Década de 70, numa América sossegada, Larry é um Judeu e Professor de Física que vê, num abrir e fechar de olhos, a vida a virar completamente do avesso: desde a descoberta da traição da sua mulher até às constantes preocupações com o cunhado, passado pelas ofertas de suborno que lhe têm chegado por um aluno desesperado, ao mesmo tempo que o director da Universidade recebe cartas que o difamam enquanto professor. Mais ainda, Larry sente-se quase ameaçado com a presença de Sy, o amante da sua esposa, enquanto tenta resolver os conflitos do seu filho - problemas disciplinares na escola Hebraica - e da sua filha - sorrateiramente tira dinheiro da carteira do pai para uma operação ao nariz. Contudo, apesar de Larry se ver e sentir numa situação de desespero, porque é "um homem sério", vai procurar resolver todas estas situações adversas com a maior seriedade e moralidade possível. No fundo, trata-se de estabelecer um ponto de equilíbrio na sua vida, ponderar os acontecimentos e, com isso, tornar-se nesse homem sério que tanto pretende ser, contando, para isso, com a ajuda de vários Rabis.
Com isto, facilmente se apreende que Um Homem Sério é conotado de imensas preciosidades humorísticas, ainda que contidas - o humor negro, no verdadeiro sentido da expressão - e os irmãos Coen são peritos nestas situações incomuns, no desenrolar dos acontecimentos, cada vez mais difíceis e insólitos.
O filme, nomeado apenas em duas categorias - melhor filme e melhor argumento - não será certamente a obra-prima dos irmãos Coen, mas antes uma confirmação do bom trabalho que ambos têm desenvolvido ao longo dos anos, não só como realizadores, mas também como bons contadores de histórias - daí se justificando as nomeações recebidas. Apesar de tudo, e à semelhança de Nas Nuvens, a concorrência deste ano é muito forte e tudo indica que também Um Homem Sério acabara a noite sem galardão.

4 comentários:

Astrid disse...

E não é que Guerra ao Terror levou 6 estatuetas?! "Nova tendência": filmes de baixo orçamento?! Duríssima a competição entre a K. Bigelow e o ex Cameron... ;) Americanos adoram essas cenas... Enfim!

Adoro as tuas resenhas.

Beijos, flores e estrelas *****

Helder Magalhaes disse...

Astrid,

bem sabes que os americanos não resistem a uma boa fofoca (e os portugueses não se ficam muito atrás!)

Mas esperava que a entrega fosse mais repartida, ambos mereciam.

E obrigado!, com bjssss, do
helder

Anfilófio disse...

Obra prima: Blood Simple?

Helder Magalhaes disse...

Anfilófio,
apesar de não ter visto a obra completa dos Coen, ao longo da carreira fizeram um conjunto de filmes muito interessantes. "Blood Simple" será um deles, mas não esqueçamos o "Fargo" e o "The Big Lebowski". :)