domingo, 11 de julho de 2010

EM CARTAZ:


Shirin
de Abbas Kiarostami


Por fim estreou em Portugal um dos últimos filmes do iraniano Abbas Kiarostami. Um excelente exemplo da versatilidade cinematográfica, aqui transformada numa antítese: a simplicidade leva-nos a uma das mais extraordinárias complexidades dramáticas conseguidas em cinema. São 114 rostos, de actrizes iranianas e uma europeia (Juliette Binoche), filmados em plano apertado durante 90 minutos. Assistem a uma encenação - pensamos que sim, porque nada disso é mostrado - de Shirin e Khosrow, uma das mais belas e lendárias histórias de amor da Pérsia.
114 reacções femininas, de todas as gerações, e nada mais que isso, cada uma revendo a sua própria história de amor em Shirin (talvez por isso o filme tenha tomado como título apenas o nome da personagem feminina). E repare-se que não se trata de uma exploração dos sentimentos femininos, mas antes uma valorização dos gestos, do olhar enigmático, dos lábios contorcidos, traduzidos numa certa falsidade ou veracidade emotiva - antítese, novamente. E, por curiosidade ou não, vemo-nos reflectidos naquelas reacções, partilhamos das suas expressões, porque o sentimento é recíproco.
Recomenda-se vivamente!

3 comentários:

Renato_Seara disse...

Um país tão fechado com cineastas muito bons.

Helder Magalhaes disse...

E não é o único país nessa situação, infelizmente!

Astrid disse...

Eis aí uma boa razão para ir ao cinema.

Beijos, flores e estrelas *****