sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Oscars 2010: Estado de Guerra (The Hurt Locker)


Com 9 nomeações, Estado de Guerra é, a par de Avatar, um dos grandes favoritos da cerimónia dos Oscars deste ano. E razões há para que assim seja ou não estaríamos a falar de um filme inovador dentro da temática que propõe abordar - não por apresentar uma diferente perspectiva da Guerra no Iraque, mas principalmente por acompanhar uma equipa de soldados americanos, peritos a desmantelar bombas. Na verdade é um trabalho bastante ingrato, com um risco e uma perigosidade muito superior a qualquer um outro cargo num campo de batalha, mas que parece ter sido esquecido (ou, pelo menos, pouco referenciado) ao longo da história do cinema.

Realizado por Kathryn Bigelow (ex-mulher de James Cameron, embora dele não tenha tido quaisquer influências para este filme), em Estado de Guerra somos, desde logo, levados para o meio da equipa Bravo, em Baghdad, a 39 dias do final da sua missão. Um infortúnio acaba por acontecer, entre ambientes tensos e medidos a peso pela desconfiança dos Iraquianos, ficando a equipa anti-bomba reduzida a dois soldados. Para substituir a perda, o Sargento James é enviado para o campo de batalha, como chefe da equipa, em conjunto com os resistentes Sargento Sanborn e Especialista Eldridge. Percebemos, com o avançar dos dias e com o árduo trabalho com que se vão deparando, que cada um eles tem uma maneira muito própria de ultrapassar o medo, perante o risco de vida a que diariamente se expõem. Por um lado, amante do seu trabalho, que não vê outro objectivo de vida senão a adrenalina em desarmar uma bomba, o Sargento James parece deslocado, numa atitude quase imatura, mas com um autodomínio desmedido sem se deixar levar pela opinião dos outros - nem mesmo dos seus superiores. Por outro lado, Sanborn e Eldridge não se adaptam a este método de trabalho; seguem regras, ponderados, excessivamente emotivos e inseguros para a profissão que levam. O certo é que os 39 dias em falta vão sendo descontados e as bombas desmanteladas, como se de uma contagem decrescente se tratasse, e a equipa, mais unida do que nunca, procura auxílio entre si nestes últimos dias que, como se sabe, acabam por ser os mais difíceis.

Estado de Guerra é um excelente pretexto para uma abordagem, embora generalizada, de alguns temas que me parecem interessantes: a confiança e os valores da amizade, acima de tudo, na vida presa por um fio, posta nas mãos do Sargento James como se não tivesse o peso que tem; o combate ao medo, a reacção perante a morte, o diferente modo de reagir numa situação extrema de vida ou de morte; e, por último, aquela típica seriação de pessoas, quase discriminação, a dúvida levantada vezes sem conta acerca da inocência (ou culpa) dos cidadãos iraquianos mediante o caos levantado em Baghdad.
Tecnicamente perfeito, além de uma exemplar direcção de fotografia, o ritmo escolhido - trabalho de edição - não podia ser melhor. De facto, em muito contribui para a correcta apreciação da cena, na percepção da tensão envolvida, por vezes convertendo-se numa certa demagogia, no bom sentido, entre o que poderá ou não acontecer.
Quanto às apostas, Estado de Guerra tem tudo para ser galardoado em Edição (Bob Murawski e Chris Innis), Banda Sonora (Marco Beltrami e Buck Sanders), não esquecendo a séria nomeação e possível vencedor pela melhor - pelo menos, inesperadamente boa - Realização (Kathryn Bigelow).

2 comentários:

Bruno Teixeira disse...

Engraçado, que um post de um filme com um argumento totalmente original - do melhor que se viu este ano -, não tenha um único comentário...

Tudo bem, até pode ser dito que este filme passou despercebido, que não teve a "máquina" de marketing que teve Avatar. Mas, na minha opinião, é desculpa para quem apenas está atento ao que passa na TV e nos imensos jornais que circulam por aí...

Lá está, é muito mais fácil "deitar a baixo" e olhar para os aspectos negativos... implicar, como se costuma dizer...

Contudo, espero que este, a par de Avatar, seja um dos vencedores da cerimónia desta noite.

Estranho? Talvez... até porque estão em competição directa (onde existe sempre um vencedor e um vencido), mas espero que o Óscar de Melhor Filme e o de Melhor Realizador sejam distribuídos por estes dois filmes. Como? É-me indiferente.

Abraço Hélder e força nesta tua "maratona" de comentar os filmes nomeados para Óscar. :p

Helder Magalhaes disse...

É verdade, Bruno, embora com um marketing muito limitado, o "Estado de Guerra" foi bastante falado na imprensa Portuguesa que prometia um dos melhores filmes do ano - o que depois se veio mesmo a confirmar.

Contudo, a depreciação mesquinha é muito mais fácil do que a apreciação merecedora; há que dar o devido valor às coisas, principalmente quando são bem merecidas, como é o caso do "Avatar" e do "Estado de Guerra".

Também gostava muito que os prémios fossem divididos entre os dois filmes, esta noite...

Obrigado por acompanhares a minha "maratona".

Um abraço, do
hm